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Revolução emocional

"É o fim da política moderna. Tive como professor na França o sociólogo Julien Freund (1921-1993), também conhecido no Brasil, que dizia que o político é a ideia de um projeto, de um programa, da dimensão racional, seja de esquerda ou de direita. O objetivo programático é mobilizar energias para alcançar o fim desejado. Era a grande ideia marxista dos sistemas socialistas do século XIX, das políticas conservadoras etc. Vemos que há uma saturação, um tipo de indiferença, esses jovens não se reconhecem mais num programa, num partido ou sindicato. Não é mais programático, mas, sim, emocional. A modernidade é racional, e a pós-modernidade é emocional. Com o que ocorre no Brasil temos uma boa ilustração disso.

[…]

Brinco dizendo que neste caso não se deve mais fazer sociologia, mas epidemiologia, pois é algo viral. É a sinergia do arcaico com o desenvolvimento tecnológico. Arcaico são as tribos; desenvolvimento tecnológico, a internet. Há mobilidade graças às redes sociais. As tribos urbanas se tornam comunidades interativas. Há essa expressão em inglês, “flash mob” (abreviação de flash mobilization, movimentação relâmpago). De repente surge uma mobilização que desampara as instituições. Como não é programático, há o risco de murchar como um suflê, de forma rápida. Mas é algo que deixa marcas.

Michel Maffesoli em entrevista para O Globo

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ALTERMODERN

ALTERMODERN MANIFESTO – POSTMODERNISM IS DEAD

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Travel, cultural exchanges and examination of history are not merely fashionable themes, but markers of a profound evolution in our vision of the world and our way of inhabiting it.

More generally, our globalised perception calls for new types of representation: our daily lives are played out against a more enormous backdrop than ever before, and depend now on trans-national entities, short or long-distance journeys in a chaotic and teeming universe.

Many signs suggest that the historical period defined by postmodernism is coming to an end: multiculturalism and the discourse of identity is being overtaken by a planetary movement of creolisation; cultural relativism and deconstruction, substituted for modernist universalism, give us no weapons against the twofold threat of uniformity and mass culture and traditionalist, far-right, withdrawal.

The times seem propitious for the recomposition of a modernity in the present, reconfigured according to the specific context within which we live – crucially in the age of globalisation – understood in its economic, political and cultural aspects: an altermodernity.

If twentieth-century modernism was above all a western cultural phenomenon, altermodernity arises out of planetary negotiations, discussions between agents from different cultures. Stripped of a centre, it can only be polyglot. Altermodernity is characterised by translation, unlike the modernism of the twentieth century which spoke the abstract language of the colonial west, and postmodernism, which encloses artistic phenomena in origins and identities.

We are entering the era of universal subtitling, of generalised dubbing. Today’s art explores the bonds that text and image weave between themselves. Artists traverse a cultural landscape saturated with signs, creating new pathways between multiple formats of expression and communication.

The artist becomes ‘homo viator’, the prototype of the contemporary traveller whose passage through signs and formats refers to a contemporary experience of mobility, travel and transpassing. This evolution can be seen in the way works are made: a new type of form is appearing, the journey-form, made of lines drawn both in space and time, materialising trajectories rather than destinations. The form of the work expresses a course, a wandering, rather than a fixed space-time.

Altermodern art is thus read as a hypertext; artists translate and transcode information from one format to another, and wander in geography as well as in history. This gives rise to practices which might be referred to as ‘time-specific’, in response to the ‘site-specific’ work of the 1960s. Flight-lines, translation programmes and chains of heterogeneous elements articulate each other. Our universe becomes a territory all dimensions of which may be travelled both in time and space.

Nicolas Bourriaud, Altermodern – Tate Triennial 2009 at Tate Britain 

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Nicolas Bourriaud, um dos curadores mais respeitados da atualidade, fundador do Palais de Tokyo (Paris) e autor do famoso livro “Estética Relacional”. “Altermodern” é um termo inventado pelo teórico francês, que sugere o fim do pós-modernismo para dar lugar a uma espécie de modernismo alternativo, onde o artista surge num contexto global, sem fronteiras e capaz de sugerir novos discursos. Segundo Bourriaud, a nova arte deverá lutar contra os estigmas da arte estabelecida e o espírito comercial que  a acompanhou nas últimas décadas, encarando o território das artes como um arquipélago onde a diferença deverá ser assumida, embora a prática artística remeta sempre para uma lógica de interligação e partilha de um património ideológico comum. O primeiro ensaio da materialização destas ideias  está marcado para a Trienal da Tate Britain, em Londres, até ao próximo dia 26 de Abril - uma exposição comissariada pelo próprio Bourriaud, que reúne um conjunto de artistas oriundos de vários pontos do globo e diversos suportes. 

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In his keynote speech to the 2005 Art Association of Australia & New Zealand Conference, Nicolas Bourriaud explained:

"Artists are looking for a new modernity that would be based on translation: What matters today is to translate the cultural values of cultural groups and to connect them to the world network. This “reloading process” of modernism according to the twenty-first-century issues could be called altermodernism, a movement connected to the creolisation of cultures and the fight for autonomy, but also the possibility of producing singularities in a more and more standardized world."

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"Make deci­sions quick­ly, but don’t fall in love with the answers."

— Bob Pittman, ven­ture cap­i­tal­ist in Fast Com­pa­ny, via 99U. (via marciikeler)

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"Cities are what makes us human. They’re the success story of our species. They are where civilisation happens"

— Ben Hammersley, A Smart Guide to Utopia

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"It is a curious thing, but the ideas of one generation become the instincts of the next. We are all of us, largely, the embodied ideas of our grandmothers, and without knowing it, we behave as such."

— D.H. Lawrence, Late Essays and Articles

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neophilia

neophilia, our tendency to ceaselessly seek out the new and different. 

O instinto humano de buscar o novo é potencializado por um contexto de acesso instantâneo e uma abundância sem precedentes de produtos e informações originais. 

Há uma busca generalizada pelo novo e uma necessidade de viver experiências originais em todos os campos da vida, do universo afetivo à relação com o aprendizado. Tédio torna-se uma palavra proibida para uma sociedade que vive em perpétua busca pelo inédito através de inúmeras telas. 

“Hoje consumimos cerca de 100 mil palavras por dia através de diversas mídias, o que representa um aumento de 350%, medido em bytes, comparado com o que consumíamos em 1980. A Neophilia nos impulsiona a explorar, nos adaptar e criar novas formas de arte e tecnologia, mas um estado extremo pode alimentar a inquietação  e a distração crônicas.” 

Dra Winifred Gallagher, autora de New: Understanding Our Need for Novelty and Change

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É urgente recuperar o sentido de urgência, Eliane Brum

"Estamos vivendo como se tudo fosse urgente. Urgente o suficiente para acessar alguém. E para exigir desse alguém uma resposta imediata. Como se o tempo do “outro” fosse, por direito, também o “meu” tempo. E até como se o corpo do outro fosse o meu corpo, já que posso invadi-lo, simbolicamente, a qualquer momento. Como se os limites entre os corpos tivessem ficado tão fluidos e indefinidos quanto a comunicação ampliada e potencializada pela tecnologia. Esse se apossar do tempo/corpo do outro pode ser compreendido como uma violência. Mas até certo ponto consensual, na medida em que este que é alcançado se abre/oferece para ser invadido. Torna-se, ao se colocar no modo “online”, um corpo/tempo à disposição. Mas exige o mesmo do outro – e retribui a possessão. Olho por olho, dente por dente. Tempo por tempo.  

[…]

Foi o jeito que encontrei de usar a tecnologia sem ser usada por ela. 

[…]

Percebi também que, em geral, as pessoas sentem não só uma obrigação de estar disponíveis, mas também um gozo. Talvez mais gozo do que obrigação. É o que explica a cena corriqueira de ver as pessoas atendendo o celular nos lugares mais absurdos (inclusive no banheiro…). Nem vou falar de cinema, que aí deveria ser caso de polícia. Mas em aulas de todos os tipos, em restaurantes e bares, em encontros íntimos ou mesmo profissionais. É o gozo de se considerar imprescindível. Como se o mundo e todos os outros não conseguissem viver sem sua onipresença. 

[…]

A pessoa está parcialmente com alguém ou naquela atividade específica, mas também está parcialmente consigo mesma. Ao manter o celular ligado, você pertence ao mundo, a todo mundo e a qualquer um – mas talvez não a si mesmo.  

[…]

A grande perda é que, ao se considerar tudo urgente, nada mais é urgente. Perde-se o sentido do que é prioritário em todas as dimensões do cotidiano. E viver é, de certo modo, um constante interrogar-se sobre o que é importante para cada um. Ou, dito de outro modo, uma constante interrogação sobre para quem e para o quê damos nosso tempo, já que tempo não é dinheiro, mas algo tremendamente mais valioso. Como disse o professor Antonio Candido, “tempo é o tecido das nossas vidas”.  

Essa oferta 24 X 7 do nosso corpo simbólico para todos os outros – e às vezes para qualquer um – pode ter um efeito bem devastador sobre a nossa existência. Um que sequer é escutado, dado o tanto de barulho que há. Falamos e ouvimos muito, mas de fato não sabemos se dizemos algo e se escutamos algo. Ou se é apenas ruído para preencher um vazio que não pode ser preenchido dessa maneira. 

Será que não é este o nosso mal-estar? 

Viver no tempo do outro – de todos e de qualquer um – é uma tragédia contemporânea.”

coluna Época, abril de 2013

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Tags: listography
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Tags: motivation TED
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IMMORTALITY, a paradox

"And thus we have a paradox: When we peer into the future we find our wish to live forever fulfilled, as it seems inconceivable that we might one day cease to be. Thus we believe in our own immortality. Yet at the same time we are painfully aware of the countless possible threats to our being… . And thus we believe in our own mortality. Our very same overblown intellectual faculties seem to be telling us both that we are eternal and that we are not, both that death is a fact and that it is impossible." 

From ancient mythology to today’s dominant world religions to modern scientific models like Terror Management Theory, the remainder of Immortality explores precisely how we’ve enlisted storytelling in weaving powerful immortality narratives that lift us out of our cognitive dissonance and, in the process, lay the very groundwork for human civilization.

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